quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Partilhando um presente

Em terapia esta falando (chorando minhas pitangas) que as vezes me sinto desvalorizada, que sinto que fiz algumas escolhas erradas e que algum reconhecimento seria muito bom. Levei uma bela mijada da Sayonara Linhares da Casa Z. Hoje pensei em desativar meu perfil do orkut e acabei vendo este depoimento lindo.
Há alguns anos recebi de presente esta descrição de uma grande amigo, por quem tenho profunda admiração e respeito:



"O problema em descrições está não nas palavras daquele que descreve, mas na falta delas. Está para ser criado um idioma no qual todas as coisas possam ser descritas. Mesmo os mestres das línguas esbarrariam naquele que é o maior problema de todos: as comparações naturais que aquele para quem a descrição é feita está fadado a fazer.

Tentarei ser mais claro. Se eu disser que Hanife tem os cabelos negros, você buscará em sua mente outras mulheres com cabelos negros e arquivará esta informação no mesmo setor. Eu poderia ir mais longe e dizer que seus cabelos são negros como as noites de inverno e sedosos como as pétalas de uma flor de lótus; que eles a perseguem em sua dança como a cauda de um mágico cometa - cada fio como um amante tímido demais pra tocar seu corpo mas incapaz de manter-se longe de sua pele.

Ainda assim, você pensaria: "Eu já vi mulheres de cabelos negros; já toquei a suavidade de cabelos sedosos; já vi as longas tranças de dançarinas perseguindo-as pelos palcos". E você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Eu diria que seu sorriso ilumina não somente o palco, mas a audiência. Que dançando ela nos faz esquecer o tempo. Do momento em que ela pisa no palco até o instante no qual ela o deixa... segundos, minutos, anos... simplesmente deixam de existir. Neste tempo, universos são criados e destruídos. Neste tempo, uma única lágrima se forma. Neste tempo, civilizações sao erguidas e esquecidas. Neste tempo, o canto de nossas bocas treme, num sorriso de plenitude. Neste tempo, nossas almas tocam os céus. Neste tempo, nossos olhos são incapazes de se deixarem piscar.

Ainda assim, você pensaria: "Eu já presenciei espetáculos que elevaram meu espírito às mais divinas esferas; eu já matei a fome e a sede apenas vendo a maestria e suavidade de uma bailarina; eu já me perdi no tempo e espaço, já chorei e já ri, já fui tocado e deixado pelas mais ricas visões". E você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Onde quer que Hanife esteja, ela está no centro do palco. Nossos olhos a seguem naturalmente. Não que ela se posicione de uma forma pedante ou vaidosa; ela não tenta, e não precisa, chamar a atenção para si. Ela não faz, ela não está - ela é. Nossos olhares se voltam e a perseguem da mesma forma que nossos corpos se aproximam do fogo em uma noite fria. Nós não o fazemos somente pela luz que emana das chamas; fazemos também pelo calor. Não conscientemente, mas de forma instintiva. Porque nossos corpos sabem mais do que nós sobre aquilo que precisamos. Assim como nossos corações sabem infinitamente mais sobre o que almejamos do que nossa racionalidade. E o calor que Hanife exala, permanentemente fluindo pelo centro do palco de nossas mentes, só não é maior que a luz que brilha de seus movimentos.

Eu poderia escrever páginas e mais páginas em todas as línguas do mundo, vivas e mortas... e eventualmente você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Eu termino de escrever isto, e é frustrante saber que neste momento você não está convencido de que você não entendeu.

Você está errado.

Você só entenderá quando vê-la. Na verdade, você só entenderá quando lhe faltarem as palavras ao descrevê-la para alguém. Só então você entenderá."

Richard Vasques


Não tive coragem de apagar meu perfil sem antes salvar isto...
Respeito, admiração e reconhecimento por nosso trabalho vem de onde tem que vir.
Obrigada aos meus amigos, as minhas alunas amadas, minhas meninas do projeto, as poucas (mas acreditem elas existem) fãs, minha mestra Thais Bernardes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Quer saber da minha história na dança? Me pergunta!!!

Então,
Dia desses fui fazer uma aula de ritmos com o Fabiano Tuerlinckx ( que nunca,NUNCA é de mais, se eu ganhasse mais dinheiro faria aulas regulares!), conversa vai conversa vem com a dona do espaço ela achou que eu precisava de lugar para dar aula. E já veio me dizendo que era devota de tal professora e que sabia que eu era algo como uma "discípula" de outra que era inimiga da primeira...

Gente, vamos deixar uma coisa bem clara:
EU NÃO TENHO NADA HÁ VER COM O QUE MINHAS ANTIGAS PROFESSORAS, PATROAS, ALUNAS TEM DE INIMIZADES COM QUEM QUER QUE SEJA.

Eu sou outra pessoa. Não me meto em briga que não é minha, até pq a experiência me mostrou que muitas vezes é transitório e depois quem se meteu é que passa por bruxa meméia!
Não exijo que minhas alunas façam ou deixem de fazer aula com quem quer que seja.
Não proíbo ninguém de fazer nada por desavenças minhas ou de outrem.
Não tomo as dores e não exijo que tomem as minhas.

OK?!

Acho que isso acontece pq, ao olhos de muitas pessoas, eu nunca vesti a camiseta de grupo nenhuma escola ou professora.
Não me entendam mal, mas não sou tiete, não idolatro ninguém. Mas tenho um profundo RESPEITO por minhas mestras.
São elas:
Monica Rodrigues
Hind Said Said
Camila Estamado
Mahaila Dilluz
Thais Bernardez

A Thais é a minha atual MESTRA, aquela que se mete até no que eu visto, se mete nas minhas músicas, na minha make. E eu confio nela de olho fechado! Tenho muito orgulho de ter sido convidada(!) a integrar a Cia de Dança Joia do Nilo. Um dos grandes motivos de eu ter ficado na cia dela é que em momento algum a Thais tentou me transformar em algo que eu não sou. Não tentou ou exigiu que eu virasse uma cópia dela. Ela me respeitou, respeitou a bailarina pronta que ela escolheu. Não me proíbe de fazer aula com ninguém (e olha que eu fico meses sem fazer aula). Não me proíbe de fazer curso com ninguém. Não me proíbe de trabalhar em qq lugar. E por isso eu permito que ela me lapide para extrair o máximo do meu brilho. (Sem contar que bom exemplo a gente segue e faço o mesmo com minhas alunas)

Pq nunca me viram dançar antes de 2008?
Simples, sou exigente de mais com o meu trabalho ( é sério! quantos vídeo meus vc encontra na net???). Quebrei um galho uma vez para a dona da escola onde estudava em 2005, mas só. Estudo dede 1997, mas sofro de uma autocrítica ferrenha. Se não é para fazer o melhor eu não subo no palco. Eu não me mato ensaiando para dançar com gente sem compromisso. Acho o fim quem não aparece nos ensaios e sobe no palco para fazer as colegas passar vergonha. Adorava as aulas, a técnicas, mas não queria dançar em grupo.

Então em 2008 cheguei na escola da Mahaila e ela percebeu que eu tinha potencial para solos e ai eu pude me cobrar a vontade (sem passar pela chata que cobra das colegas) e meu trabalho apareceu, como bailarina, diretora artística, coreografa e professora. Não fiquei na escola e me mudei para o estúdio da Lise Bueno (Nijmet el Mahira) onde trabalhei como professora, coreografei a bailarina Mia Maurer, auxiliei nos ensaios da Cia e dancei na Cia Olhar Oriental. A Lise tb soube valorizar a bailarina que teve e não me fez exigências descabidas. Além do mais apontou um caminho que eu não sonharia: a carreira de árbitra na LIBRAF e por isso eu sou muito grata.
Como diretora ela fechou muitos contratos e me pôs para trabalhar muito. Minha visibilidade se deu sob sua direção. Foi ela quem trouxe a Thais para POA para dar aulas para suas bailarinas.Mais um motivo por eu ser grata.

Fiz aulas com outras pessoas? Sim, mesmo que por pouco tempo. Mas estas são minhas professoras, a quem devo muito do que sei, muito do que sou como bailarina...
Se vc tem qq problema com alguma delas... RESOLVE COM ELA! E não me mete no meio da briga de vcs! Até pq daqui a pouco estão de bem e eu não vou ser a bruxa da história!
Ema, ema, ema cada um com seus problemas!!!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Eu não gosto de Beatles

É sério, não gosto mesmo. É um direito que me assiste. Se depender de mim meus filhos nunca ouvirão nada deles.
Não quer dizer que eu não respeite a história, sua tragetória. Mas eu não sou obrigada a gostar.
Ah, mas todo mundo gosta... Os caras fizeram sucesso...
Eu não sou o sensu comum. Tenho opinião própria. Não me agrada e pronto!


A mesma coisa se aplica ao meu gosto na dança.

Eu não gosto do contemporâneo que se faz no RS. NÃO GOSTO! Acho chato, sem sentido, entediante e, na maior parte do que já vi, sem ao menos uma boa técnica que salve.  Ballet também anda sofrível... Gente, dança é arte! E como diz um PROFISSIONAL (em letras garrafais mesmo pq ele é muito bom): Tu medes a qualidade da arte pelo tanto que ela é capaz de transmitir. E o que tenho visto é uma competição de virtuoses, quem gira mais, quem tem o pé mais “perfeito”, a perna que levanta mais alto. As personagens dos ballets praticamente esquecidas, interpretação zero (já vi bailarina dançar Nikiya e Aurora com a mesma cara de paisagem).
Isso quer dizer que eu não respeite a técnica, a tregetória, ou trabalho social A ou B?
Não, respeito muita gente que não gosto.  Admiro muito professor e bailarino que não gosto DANÇANDO. O que as pessoas fazem fora do palco é outra história.

Tem muito bailarino ruim que é excelente professor. Assim como tem bailarinos divinos que não deviam dar aula pq não sabem ensinar. Pessoas que foram bailarinos incriveis a acham que isso passa no sangue e só sabem por os filhos na frente, negligenciando bons bailarinos (muitas vezes matando um talento).

Eu não gosto de bailarina A, B, C, D, E... A²... z³²! Não gosto!!!!!!! É um direito que me assiste!

E igualmente, como no caso dos Beatles, dança contemporânea e ballet, é triste, muito triste, mas a dança árabe não espaca disso, virou uma competição de virtuoses,  quem tem mais quadril solto, a meia ponta mais alta, o movimento mais complicado, mais alunas no palco, mais prêmios, mais cursos, o figurino mais caro, mais coreografias no festival tal... Mas isso nem sempre se traduz em qualidade na arte.
Tem gente que eu adoro dançando, mas não gosto de ver o trabalho que faz com os alunos (A). Tem bailarina que eu acho o Ó e tem alunas muito boas(B)! Tem bailarina que foi divina, que a escola matava a pau, mas agora deixa desejar (C). Outas que eram muito fracas, muito sem graça, muito sem noção, mas que ao longo do tempo mostram que estão estudando, que estão evoluindo(D). A bailarina mata a pau num estilo específico, as alunas são um luxo, a técnica é perfeita (E).  E respeito todos os  casos .

Caso A
Tem bailarina que é divina dançando, que te arrebata com cada apresentação, mas não consegue transmitir isso. As alunas não aprendem o grupo não evolui, as apresentações são sempre “Xuxa e suas Paquitas”, entretanto as alunas apresentam boa técnica.  Não deixo de respeitar e muitas vezes gostar da bailarina por isso. Não gosto do grupo ou dos trabalhos em grupo. Não confundam isso com eu não gostar da fulana ou beltrana.  Ela pode ter dificuldades para se explicar, pode ser uma questão didática/metodologica, pode ser que ela tenha aprendido assim, pode ser que as alunas ainda não tenham chegado lá, pode ser que as alunas não gostem de estudar... Um monte de coisas.

O que eu não gosto e não respeito é quem só quer ganhar dinheiro. Está se lixando para o aprendizado das alunas e só quer por gente no palco para fazer número. Não corrige, não ensina e fica enrolando as pessoas por anos (o conhecimento que ela tem é para poucas eleitas, a “panelinha”).  Para elas o que importa quantidade e o figurino caro (onde elas tiram uma bela comissão). Quem tem que dançar bem é ela, as alunascabe idolatrarem-la querendo chegar à ponta do dedo minimo (se sentindo a abaixo do coco do bandido). Não gosto e não respeito o que ela faz, vou continuar achando que a mulher arraza no palco.

Caso B
Tem bailarina que eu não soubesse quem era a professora, ia jurar que aprendeu a dançar com um curso pelo correio. E quando tu fazes aula com a pessoa te surpreende. A mulher conhece de mais! Sabe ensinar, sabe transmitir conhecimento, tem material para passar. Insentiva as alunas a estudar (ve-se ela e as alunas em tudo quanto é curso). Cada aluna é única, com estilo próprio.

Mas, também tem quem não está nem ai. Aprendeu a dançar na era do guaraná com rolha e nunca mais quis saber. Ou vai aos cursos para fazer social e pegar certificafos, aula que é bom, nada... E as alunas são cópias suas.
Caso C

A Bailarina era sensacional, cada vez que pisava no palco era um verdadeiro desbunde. Mas ai... A Sindrome do Paetê/ Estrelismo a pegou... Ai ela acha que não tem mais que estudar, acha que os reres mortais estão ali para louvar seu nome e que qualquer coisa que ela faça vai ser mais do que bom. Seu comportamento se espalha pelo grupo... Algumas pessoas vão embora, procuram outras professoras, vão continuar estudando e continuar o bom trabalho que vivenciaram. Ou seja, não é que agora o trabalho da pessoa decaiu que se deve esquecer o que ela já fez ou a repercução do seu trabalho. MAS EU NÃO TENHO QUE GOSTAR DO QUE ELA FAZ AGORA. Não conseguir ver ou reconhecer que a pessoa involuiu é FANATISMO. E em algusn caso parece até uma ceita. As alunas não podem nem sair para fazer curso ou workshop com mais ninguém. Só ela é a detentora do conhecimento. Faça-me o favor...

Caso D
Tem bailarina que a evolução é enorme. Às vezes é meteórica e m outros casos lenta e gradual. Particularmente fico muito feliz quendo vejo alguém dançando depois de um tempo e vejo uma melhora. Não importa se foi na técnica, na leitura, na interpretação... Mas ela evoluiu! Estudou, treinou, ouviu mais, leu mais... Ela está buscando crescer e isso merece respeito.

O que não dá é para ver a criatura dançando a mais de 15 anos a mesmissima coisa... Não estuda, não incentiva as alunas a estudar, não troca nem de música ou usa a música da moda, com a leitura musical que todo mundo já fez (chegando a plagiar). Vai estudar, se atualizar!!!

Caso E

Cada bailarina tem um estilo, usa uma técnica que estudou e pode ser muito boa nela. Mas eu não preciso gostar ou ter de estudar o mesmo para respeitar o trabalho da bailarina. Simples assim. Eu posso querer aprender técnica x, y ou z para aprimorar algumas coisas na minha dança. Estudar muitas coisas, na minha opinião, é ampliar seu “vocabulário” em dança. Entretanto é preciso saber que estas poéticas vão se acumulando no corpo, vão fazendo marcas na forma que nos movimentamos. E isso também faz o estilo pessoal de cada uma.
Contudo, se tu queres usar um estilo, ESTUDA! Procura um professor bom e faz aula regular. Fazer um workshop não te faz uma especialista e nem te habilita a dar aulas...

Sim há esperança!

Ah, sim, existe gente muito boa.  Tem um curso estruturado que te permite aprender, etapas tranquilas e claras, respeita o estilo de cada aluna, incentiva o estudo ( não só de técnica como música e cultura), faz tudo mundo estudar e ensair para fazer um bom trabalho.  Dança horrores e as alunas também arrazam.
Então, se esta a procura de uma escola para fazer aula, procure saber da tragertória, veja vídeos, pesquise o estilo da escola, a postura da professora e seja feliz com suas escolhas.