segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sou humana, antes de qualquer coisa...

Bom, antes de ser bailarina, artista... sou humana e estou sujeita a tudo que a condição humana está. Nunca fui de fingir sorrisos. Sou muito cristalina... em todos os sentidos.
Se não estou bem, não estou e pronto. 
Estou triste, muito triste, a ponto que nem na dança estou encontrando alegria. Vivo meus lutos o tempo que eles tem que durar.
Por tanto estou me afastando da dança como professora.  Vou me dedicar aos meus estudos, com as mestras Thais Bernardes e Alessandra Forte. Vou mergulhar na minha graduação. Até que sinta que esta tristeza saiu de mim.

É uma fase? Não sei... A roda gira a todo momento, como saber... 
Tudo que sei é que tenho uma capacidade imensa de me refazer das cinzas quando menos espero. Só os deuses sabem o que me espera na próxima volta.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Já que eu estava com a mão na massa...


Já que eu estava com a mão na massa...

Fui deixar um "singelo" comentário no podcast do Sala de Dança (alias, RECOMENDADÍSSIMO).
 E achei que devia deixar aqui tb.


Estava ansiosa por este podcast.
Vou seguir a linha que vcs usaram e falarei apenas do que eu conheço. E sim, mais um desabafo muito pesado…
Desde que, há muitos anos, houve um movimento que proibia professores de dança ( sem formação em Educação Física) de dar aulas em academias, eu passei a me questionar sobre a validade, ou não, de uma graduação. Já que naquela época tinha a firme convicção que quem deve dar aula de dança é professor de dança, que viveu dança, que pensa sobre dança.
Com 23 anos resolvi fazer uma graduação, ainda não havia assumido a dança como profissão, e me decidi pela faculdade de Educação ( Pedagogia). Pra que vcs entendam onde quero chegar vou deixar uma coisa beeeem clara: eu não deixei de ser ( na forma de pensar) ginasta quando me dediquei a estudar dança, não deixei de ser ginasta e bailarina quando me decidi a estudar Educação. Portanto meu olhar estava, sim, permeado por questões que envolviam o educar o corpo (seja na ginastica seja na dança – qualquer dança).
Foi uma graduação maravilhosa e eu realmente acredito, por mais que algumas pessoas achem esta posição radicalíssima, que só quem fez uma graduação em Educação está de fato preparado para ir para uma sala de aula em ensino formal. Porque só quem passou por esta formação sabe o valor que ela tem para refinar nosso olhar (ato de ver e também forma de pensar) sobre o ser humano, os processos complexos de aprendizado e a tarefa árdua que é o ensino.
Por isso mesmo eu tinha um olhar de educadora em minhas aulas de dança, enquanto aluna. Isto me fez repensar o que eu acreditava ser certo enquanto ensino em dança.
Quando decidi assumir a dança como profissão veio o questionamento: Fazer ou não uma formação em dança?
Cheguei a conclusão que o mercado te leva mais a sério quando se tem um título. Mas não queria que fosse só por isso. Queria que minha formação fosse tão maravilhosa quanto a outra. Por isso esperei e fiz um curso profissionalizante em Dança Árabe Contemporânea com a Lise Bueno. Foi muito bom, me deu linhas de pensamento sobre a dança árabe, sobre a visão do mercado, sobre o ser profissional, ser bailarina e/ou professora e também sobre o corpo que se move (minhas aulas de anatomia com ela foram melhores que as da graduação!!!). Só depois de pensar muito decidi fazer outro vestibular para a UFRGS e tb fiz ENEM. Passei em primeiro lugar na ULBRA com bolsa e também na UFRGS. Optei pela federal por poder aproveitar minha graduação em educação. Não sei se foi a melhor escolha pq, como qq graduação numa federal, eles pensam que todo mundo é “filhinho de papai”, bem nascido e que não faz mais nada da vida.
O curso de dança é uma licenciatura, (http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=805).
O perfil dos alunos ainda é de garotada que saiu do colégio a pouco tempo e dançou boa parte da sua (curta) vida. Poucos são os alunos do curso que são profissionais da dança (professores ou bailarinos) , que vivem da dança, até pq como já disse, eles pensam que nós não fazemos mais nada da vida, tem aula manhã tarde e noite. A experiência é valida. No currículo temos aulas para que compreendamos o corpo, seu funcionamento e mecanismos. Abrangem a historia, pedagogia, psicologia e até certo ponto antropologia. Quanto a técnicas temos clássico, contemporâneo, danças populares regionais, nacionais e internacionais. Algumas disciplinas versam sobre teorias da dança. Temos ainda uma formação voltada a produção de espetáculos em termos de gestão, concepção, direção e cuidados como iluminação e fotografia. Sem contar as disciplinas de pedagogia. Falando assim ele parece 8ª maravilha do mundo. Mas de pouco, muito pouco nos adianta ter estas disciplinas e o corpo docente que conta com Luciana Palludo, Flavia Valle, Aline Hass, Rubiane Zancan, se os alunos não estão a altura para aproveitar as aulas. As discussões se tornam rasas, as disciplinas não atingem a profundidade que deveriam pois as pessoas dão mais valor a técnica do que a práxis.
É desesperador ter o olhar de educadora, cunhada dentro de uma das melhores faculdades de educação do pais, com os melhores mestres/pesquisadores, e depois fazer uma licenciatura… O despreparo da mente, a (sem nenhum exagero) mediocridade ( no sentido mesmo da palavra: sem criatividade ou originalidade, comum, mediano – pq assim o quer ser-, que se orgulha de ser “burrinho”, assume que não gosta de ler) me deixa LOUCAAAAAA! Porque perpetua a ideia de que bailarino não pensa…
(Ai eu me pergunto: Pra que serve mesmo a P%¨&%$ do vestibular?! Não era pra selecionar a “nata”?)
Existe uma diferença enorme entre bacharelado e licenciatura. O que poucas pessoas sabem é que em ambos o que se espera é formar cidadãos conscientes, criticos e participativos na sociedade, ampliar seus horizontes como ser humano e ARTISTA EDUCADOR PESQUISADOR (isso mesmo, sem vírgula ou ife, conceito desenvolvido na UERGS no seu curso de artes dirigido na ocasião pelo atual chefe do curso de pós graduação em pedagogia da arte UFRGS, Giberto Icle. Conceito este que acredito piamente ser possível e altamente almejável), dar arcabouço para refletir a PRATICA EM DANÇA, seja ela em sala de aula, espetáculo ou produção teórica. O conceito de práxis é , ouso dizer, totalmente desconhecido de 90% dos alunos desses cursos.
Algumas pessoas podem descordar, mas não vejo como alguém pode refletir sobre algo que não tem vivência. Vai refletir sobre o quê? Sobre o que não experienciou, sobre o que não dançou, sobre o que não aprendeu, como aprender, sobre o que não assiste, sobre o que não lê?Que profissional será lançado para o mercado? Será que de fato a graduação os prepara para enfrentar o mercado tão exigente que nos espera? Para estas pessoas acredito que não. A melhor graduação do mundo será incapaz de dar a estas pessoas a mentalidade necessária para ser um profissional qualificado.
Prova disso são educadores em dança que nunca cursaram nenhuma graduação e que com toda certeza mereceriam títulos de Dr Honoris Causa pois prestariam um bem a sociedade muito maior que muitos Drs formados com a mentalidade supra citada ( não experienciou,não refletiu sobre nada além do que reproduz sem entender) e estes são incapazes de olhar para outra dança e ter o respeito que alguém que realmente educou seu olhar teria, tenha “formação” ou não.
Pq eu continuo no curso? Lembram, o meu desejo é ser mestre… Eu acredito que se todos os bailarinos e professores em dança que pensam, que refletem, que estudam dança se frustrarem e desistirem ao tentar fazer graduações NUNCA vamos ter bacharéis, licenciados, mestres ou doutores. SIM temos de passar pela parte chata, SIM temos de lidar com gente ignorante, SIM temos de ir lá e mostrar que existe seres pensantes fora do circuito ballet/contemporâneo. Vamos estudar, vamos pesquisar, vamos publicar artigos e livros de qualidade! Ah, mas sai caro fazer um mestrado… Estuda, pesquisa e pede bolsa!
E você ai que está ouvindo o podcast, se tem um TCC, monografia, dissertação, artigo! COMPARTILHA! Descobriu um pesquisador que trabalha com algo relacionado as danças orientais, um blog com informações corretas, bem pesquisado, COMPARTILHA! Livro, publicação, qq coisa! Conhecimento foi feito pra ser compartilhado, ele não se perde desta forma, mas se multiplica.
Bjos!

sábado, 14 de julho de 2012

Ai, que ei fico fula da vida!!!

Mandaram um pedido de estágio para minha faculdade que encaminhou para os alunos.
Era bem claro quanto a negociação de horários para trabalhar num clube aqui de Porto Alegre.
Mandei currículo, no mesmo dia o cara queria que eu fosse lá. Tive de marcar para o outro dia pq tinha outro compromisso. Cheguei lá, o cara se desdobrou em elogios ao meu currículo. Ficou de dar resposta no fim da semana. Fui selecionada eu e mais um colega.

Gente, o cara estava surtado!!!! Queria aula o dia inteiro! Sabe academia de ginástica que termina uma aula e já tem outra? Queriam que desse coreografia, aula de tudo quanto é dança... Só 50min de aula. E a gente que se virasse pra cumprir horários malucos. A bolsa já não era grande coisa... eu ia ficar indo e vindo de ônibus ou surtando o pobre do meu namorado pra me levar e buscar. 


Definitivamente este tipo de ambiente não pra mim...


Acabou o semestre!!!!



Finalmente!!!! Já estava surtada... Também eu já estava na função antes de começar o semestre e ( a louca aqui) peguei duas disciplinas as 7:30 da madrugada, ou seja, madrugar quatro dias da semana... Mas terminou!!!! E durante as férias/greve tenho um tempinho para escrever. Não sei se passei em tudo, também não vou saber até terminar a greve.





Então bora fazer uma atualização:


Fiz três disciplinas que merecem destaque Danças Populares, Dança Contemporânea I e Gestão e Projetos em Dança.

Danças populares, prof Jair Umann - Gente, ele é de mais!!! É uma que tem foco nas danças de salão. Ele aborda de uma forma tão simples, tão despretensiosa, a dança simples como é dança por pessoas normais, não a loucura que virou a dança de salão feita para o palco. Sem contar a abordagem, cheia de contextualizações sobre a cultura, os modos se fazer e ser para cada assunto abordado. E a metodologia de mini aulas. Cada um pesquisou,preparou e aplicou uma aulinha de 30min, 4 colegas eram "avaliadores" e depois das aulas se faziam comentários para ajudar o colega com apontamentos pertinentes. 
Como se aprende vendo outras aulas, outras metodologias,provocou-me muitas reflexões, me fez repensar muitas coisas, muitas aulas que já tive e dei.
E ainda para completar o cara tem muito embasamento teórico. A dissertação de mestrado dele está disponível online na biblioteca da UFRGS, recomendo!
 
Dança contemporânea I - Pois é, eu fiz... Achei que tinha que me livrar logo dessa bomba e resolvi fazer esse semestre. SETE E MEIA da madrugada... Mas, valeu a pena. A disciplina foi dada pela maravilhosa Tati Rosa, que foi professora da UERGS . Já na primeira aula ela me surpreendeu: ela quis "perder" aulas ouvindo a trajetória de cada um na dança, sem pressa, fazendo perguntas, conversando... DE MAIS!!!!!
A disciplina foi ministrada para 4 alunos. Foi um trabalho maravilhoso. A Tati nos deu muitas aulas teóricas, nos mostrou muitos trabalhos dos pioneiros, sempre acompanhado de uma longa e preciosa explicação do contexto, dos porquês, das motivações. Depois passamos para um estudo do corpo da movimentação e como ela era explorada na dança contemporânea. Continuo sem gostar de dança contemporânea, mas passei a ter um profundo respeito pelo trabalho de gente que realmente pensou sobre a dança e aprendi muito, trocamos muito, repensei muitas coisas, me trouxe questionamentos. Fiquei muito feliz de ter tido a oportunidade de ter aulas com ela, pois ela só estava substituindo uma outra profª. Mas tb estou muito feliz por ela que passou na prova de doutorado.

Gestão e projetos em dança - Com a mesma profª. Tati nos fez pesquisar e estudar editais e isso é uma coisa MUITO IMPORTANTE para nós das danças árabes!!!Pq só o povo do ballet e contemporâneo sabe disso e aproveita: 

PESSOAS TEM DINHEIRO

 PRA ESTUDAR, 

PRA FAZER ESPETÁCULO, 

PRA TRAZER PROFESSOR, 

PRA MANTER CIA

 é só procurar, estudar o edital e montar o projeto!!! E o melhor jeito de aprender isso é pesquisando, então não vou dar isso de bandeja, não! Vão pesquisar, vão estudar! 
É só procurar por "editais dança" no Dr Google. 




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Minha opinião sobre as bancas em festivais...

As vezes me perguntam pq eu não participo de competições.
As vezes pensam que estão me provocando ao me comparar com A ou B  “Fulana ganhou não quantos festivais!”
Sempre me recusei  a ser avaliada por quem não entende NADA de dança árabe. Acho o fim da picada ter só um arbitro de árabe na banca. A única vez que dei uma chance um retardado teve a capacidade de dizer que a minha dança precisava de mais energia (!), que era segura de mais... WFT??? Ele foi no banheiro, foi fumar, amarrar o sapato, mas não é possível que tenha visto de fato toda a coreografia, Viu um pedaço do taksin  e deve ter pensado, lento, chato... cadê o véu? E simplesmente não viu o balady que veio depois.

Acredito que se um festival quer ter uma modalidade tem que contratar profissionais da área. Pq se faz um investimento alto para participar de um festival. Tempo, aulas extras, ensaios, passagem, hotel, inscrição, alimentação, figurino...Não para uma mas no mínimo duas pessoas.
Passa-se meses de preparação , esforço, dedicação para vir um idiota qualquer e dizer “Bonito figurino”, "Alegre", "lindo véu",  será que ele esta de acordo com o que a bailarina estava dançando??? Canso de ver gente dançando  “dança do ventre” Raks el Assaya, Raks el Balaas, Ra’as El Nasha’ar (Khaleege) , Raks al Senniyya , Shamadan (Candelabro)  de barriga de fora e ainda com o ritmo errado.
Primeira coisa que eu pensaria é : VAI ESTUDAR!  Mas como já passei pela situação de a banca não “entender” o figurino, não sei até que ponto é falta de estudo ou “adequação”  a banca.

Minhas coreografias de folclore não concorrem em Dança do Ventre ou Danças Orientais pq elas são danças folclóricas e os juízes não sabem a diferença entre elas, não entendem da dança, da cultura, da vestimenta, da musicalidade ( não foi com a dança árabe mas vale o relato: um grupo levou para a competição uma dança fúnebre havaiana  respeitando todos os requisitos de vestimenta e coreografia, uma das arbitras deu uma nota baixíssima que os tirou da zona de premiações e disse no seu parecer “bailarinos tem que aprender a sorrir no palco!”).
Para leigos basta ouvir um derbak para ver com outros olhos, o povo do ballet acha “lindo” figurino e tem abominação por qq uma q esteja acima do peso,  não podem ver um véu wings que ficam deslumbrados ou o coreógrafo enche de ballet e esquecem da dança árabe para agradar a banca.
Um bom derbak , como nos diz Lise Bueno no Regulamento do Sulamericano 2012, “ para a
sua boa construção, como o compasso rítmico, a dinâmica e a criatividade. Cuidado com a estagnação, abuse das figuras cênicas  (movimentação no palco) elaboradas, bem como a percussão corporal segmentada ou composta.”  Cansei de ver gente que não saia do lugar, fora do tempo, ignorando as mudanças de ritmo.
Quem se propõe a dançar com qualquer material tem que ter em mente que ele  complementa  a dança, não dança sozinho e tem que ter qualidade de movimento, variedade. E a banca não vê isso!

Temos tantas profissionais altamente capacitadas e especializadas em dança árabe, existem tantos profissionais com um olhar dedicado ao folclore. Pq ainda somos julgadas por gente do ballet, jazz, hip hop, dança de salão? Será que eles tem alguma noção técnica da nossa dança? Sabem diferenciar um estilo do outro ( “bailarina tem movimentos muito pequenos” – a da bailarina usava técnica egípcia perfeita!!! )? Conhecem as nuances das danças folclóricas? Conhecem ritmos? Sabem como e em que danças devem ser usados?

NÃO!

Então, por favor, o que as bailarinas profissionais fazem nesses festivais?!
Vamos forçar os festivais a contratar banca especializada em árabe! Levemos só folclores, tradicionais, com figurinos tradicionais, com música típicas e dar um nó na cabeça de todos eles! Vamos nos fazer respeitar  respeitando nossa arte. Vamos parar de corromper a dança com outras danças! Só então os festivais terão alguma utilidade, dando pareceres  construtivos e valorizando os bons profissionais e seus trabalhos coreográficos. Ou só levemos nossas alunas em festivais especializados onde se fazem avaliações sérias.





quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Partilhando um presente

Em terapia esta falando (chorando minhas pitangas) que as vezes me sinto desvalorizada, que sinto que fiz algumas escolhas erradas e que algum reconhecimento seria muito bom. Levei uma bela mijada da Sayonara Linhares da Casa Z. Hoje pensei em desativar meu perfil do orkut e acabei vendo este depoimento lindo.
Há alguns anos recebi de presente esta descrição de uma grande amigo, por quem tenho profunda admiração e respeito:



"O problema em descrições está não nas palavras daquele que descreve, mas na falta delas. Está para ser criado um idioma no qual todas as coisas possam ser descritas. Mesmo os mestres das línguas esbarrariam naquele que é o maior problema de todos: as comparações naturais que aquele para quem a descrição é feita está fadado a fazer.

Tentarei ser mais claro. Se eu disser que Hanife tem os cabelos negros, você buscará em sua mente outras mulheres com cabelos negros e arquivará esta informação no mesmo setor. Eu poderia ir mais longe e dizer que seus cabelos são negros como as noites de inverno e sedosos como as pétalas de uma flor de lótus; que eles a perseguem em sua dança como a cauda de um mágico cometa - cada fio como um amante tímido demais pra tocar seu corpo mas incapaz de manter-se longe de sua pele.

Ainda assim, você pensaria: "Eu já vi mulheres de cabelos negros; já toquei a suavidade de cabelos sedosos; já vi as longas tranças de dançarinas perseguindo-as pelos palcos". E você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Eu diria que seu sorriso ilumina não somente o palco, mas a audiência. Que dançando ela nos faz esquecer o tempo. Do momento em que ela pisa no palco até o instante no qual ela o deixa... segundos, minutos, anos... simplesmente deixam de existir. Neste tempo, universos são criados e destruídos. Neste tempo, uma única lágrima se forma. Neste tempo, civilizações sao erguidas e esquecidas. Neste tempo, o canto de nossas bocas treme, num sorriso de plenitude. Neste tempo, nossas almas tocam os céus. Neste tempo, nossos olhos são incapazes de se deixarem piscar.

Ainda assim, você pensaria: "Eu já presenciei espetáculos que elevaram meu espírito às mais divinas esferas; eu já matei a fome e a sede apenas vendo a maestria e suavidade de uma bailarina; eu já me perdi no tempo e espaço, já chorei e já ri, já fui tocado e deixado pelas mais ricas visões". E você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Onde quer que Hanife esteja, ela está no centro do palco. Nossos olhos a seguem naturalmente. Não que ela se posicione de uma forma pedante ou vaidosa; ela não tenta, e não precisa, chamar a atenção para si. Ela não faz, ela não está - ela é. Nossos olhares se voltam e a perseguem da mesma forma que nossos corpos se aproximam do fogo em uma noite fria. Nós não o fazemos somente pela luz que emana das chamas; fazemos também pelo calor. Não conscientemente, mas de forma instintiva. Porque nossos corpos sabem mais do que nós sobre aquilo que precisamos. Assim como nossos corações sabem infinitamente mais sobre o que almejamos do que nossa racionalidade. E o calor que Hanife exala, permanentemente fluindo pelo centro do palco de nossas mentes, só não é maior que a luz que brilha de seus movimentos.

Eu poderia escrever páginas e mais páginas em todas as línguas do mundo, vivas e mortas... e eventualmente você acreditaria que entendeu.

Você estaria errado.

Eu termino de escrever isto, e é frustrante saber que neste momento você não está convencido de que você não entendeu.

Você está errado.

Você só entenderá quando vê-la. Na verdade, você só entenderá quando lhe faltarem as palavras ao descrevê-la para alguém. Só então você entenderá."

Richard Vasques


Não tive coragem de apagar meu perfil sem antes salvar isto...
Respeito, admiração e reconhecimento por nosso trabalho vem de onde tem que vir.
Obrigada aos meus amigos, as minhas alunas amadas, minhas meninas do projeto, as poucas (mas acreditem elas existem) fãs, minha mestra Thais Bernardes.